Eu sei que não sou poeta, o coração é que insiste com essa idéia. Eu não sou romântico, sou grosso (um estúpido) e até mesmo chato e insensível. Mas não sei o que se passa no meu peito agora, deu pra bater diferente: pensa que pode amar.
"Já tentei ser de amores, mas só tive dores". Dizem que nada é tão ruim como amar sem ser amado; pior é quando não se tem vocação para o amor, e eu não tenho. Não sei fazer carinho, paquerar é complicado, suportar cenas de ciúmes é problemático, conhecer a família da pretendida é maçante. Não sei pra quê foram inventar esta coisa de amor, eu poderia viver bem sem ele; mas o danado do coração enveredou por estes lados... Deus me acuda!
Começou com um olhar, e o coração percebeu alguém. Ela era linda; linda demais para mim, nem me deu bola. Daí, passada a mofinez da rejeição, partimos para outra. E a vida foi mais grata desta vez. A moça retornou o olhar, sorriu e veio andando na minha direção. Puxa, é agora! Um abraço! ... tão cedo? Ela esbarrou em mim e caiu; era cega e não havia sorrido pra mim. Ela estava feliz, pois seu pai estava chegando pra levá-la pra casa. Quase acabei com a alegria dela... Eu a ajudei a levantar e a conduzi até o carro, pedindo desculpas. Ficamos amigos (até que eu tive alguma sorte).
Fiquei um tempo bolando uma forma de suprimir essa coisa toda de amor, mas o coração vadio quis encher-se de poesia. E lá vamos nós. Poesia pra aqui, poesia pra lá; para bonitas e para feias (tinha que acertar em alguém), para loiras e morenas, para quem me dissesse "oi" ou "ninguém merece" (somente para garotas, claro). Até que um dia... Tcharam! Coloquei um blog e comecei a divulgar minhas poesias junto com alguns "textos perdidos". E o coração continua querendo amar, e não deixa de pensar que sou poeta.
Qualquer semelhança é mera coincidência.







