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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Desligando-se
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sábado, 10 de abril de 2021
mysterium vitae
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segunda-feira, 15 de março de 2021
Colapsando
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sábado, 9 de maio de 2020
Querido diário
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quinta-feira, 7 de maio de 2020
Mors regina
Somos todos “obituário”, e cada vez mais
A cada mãe, pai, irmã e irmão que se vai;
A cada parente, amigo, querido e vizinho que tomba.
A cada tombo e partida a ficha de um ou de outro cai:
Da velha morte, caro vivente, não se zomba.
A curta vida é que nos trai. A morte apenas nos reclama.
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Envelhecendo
Não sei de que são feitos
Os sonhos que sequer sonhei
Só sei dos meus anseios
E anseio por saber por que
A vida é tão pesada
E dura e tantas coisas mais
É uma canção frustrada
Na boca de um bom rapaz
É um lenço na cabeça
Seja por bem seja por mal
É um baile ensaiado
De máscaras de carnaval
É um terço na mão boba
Expressa fé, mas fé em quê?
É qual notícia boa
Que nunca não passa na tevê
É trave, é prego, é lança
Suor e sangue, pranto e morte
A vida é uma criança
Que sonha ser alguém mais forte
Um dia acordei velho
Pensei que era pesadelo
E a vida disse aos berros
Que eu dormi do fim pro meio
Que andei de trás pra frente
Que fiz papel de passar mal
Que vivi crendo e crente
Apostatei já no final
Vendi a esperança
Em troca de algum prazer
Matei minha criança
E fiz um velho eu nascer.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
Psicose
Os loucos só sonham com a vida normal
Com o mundo real, tudo normalizado
Sonham homens, mulheres da vida real
Sonhos todos reais, tudo realizado
Sonham casas, famílias e empregos normais
Sonham o ideal, tudo idealizado
Sonham tudo o que existe de bem e de mal
Sonham com todo caos desse mundo ordenado
Sonham tanto que acordam sem ar e sem paz
Sonham serem normais e acordam surtados.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Dia desses
Atílio, Nestor e José conversando sobre a dura vida do brasileiro.
Atílio, revoltado, resmungou:
— E o preço da gasolina, hein, Nestor?!
Nestor, indiferente diz:
— Sei lá, Atílio. Ando de bicicleta ou a pé. Não vejo diferença.
Agora, me diz uma coisa, José. E essa cesta básica, hein? Tá quase virando punhado básico…
José interrompe:
— Não me faz falta, Nestor. Passo fome desde a inauguração de Brasília. E se eu tivesse dinheiro pra um litro de gasolina que fosse, ensoparia meus trapos e tacaria fogo em meus restos viventes…
Atílio e Nestor exclamam a uma:
— Com que isqueiro?!
— Com que fósforos?!
José responde com um sorriso maroto:
— O que não faltam são bitucas, caros amigos.
Todos suspiram aliviados. E cada um vai para sua mansão, casa e praça, respectivamente.
Obs.: O aniversário de José e de Brasília é coincidente, nada mais que isso. Vai dizer que nenhum brasileiro sofredor nasceu naquele 21 de abril de 1960?
O triste é que o José vem sofrendo desde o berço (se é que ele teve um).
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terça-feira, 17 de março de 2015
Pela glória
Que ideias que nada!
É o discurso inflamado que nos move,
Inda que mostre-se vazio de sentido.
Que ideais coisa nenhuma!
É pelas cores das bandeiras que lutamos,
Mesmo que estejam encardidas de desvios.
Que vida que vivemos!
Que morte morreremos!
Que herança que deixamos?
Que história escreveremos?
Que lástima!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Acalanto
Dorme, criança
Nos braços da mãe faminta
Agarrada a um peito seco.
Sonha, criança
Que há leite e inda há vida
Que é teu quarto esse beco.
Dorme, pequena
Tua mãe cessou os rogos
Entregou-se e foi-se em paz.
Dorme, serena
Nunca mais abras teus olhos
Deixa o mundo triste e vai.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Dia a dois
Dia mais quente,
Cheiro da gente,
Gosto de amor,
Beijo de tchau
E um olhar de até mais.
Meio do dia,
Na correria,
Almoço e afago,
Doce e amargo,
Da cama ao banho e o que mais.
No fim de tarde,
Sem mais alarde,
Conversa e tal,
Olhar de amor,
Do banho à cama e tudo mais.
Noite em mormaço,
No pouco espaço,
Beijos e abraços,
Risos e estalos
E um olhar de algo mais.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Afundando
Na solidão do meu quarto
No parto de ideias tristes
Lamento meu despreparo
Face a tudo que existe
E perco o precioso tempo
Envolto em mil suicídios
E acordo do pesadelo
Com corda, cacos de vidro
E viro pro outro lado
Secando o suor de sangue
E durmo mal embalado
Afogado em meio ao mangue.
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sábado, 16 de agosto de 2014
Branco
Suzana tinha um cavalo amarelo. Seu nome era Branco.
Não era um animal de passeio nem de exibição. Era um animal trabalhador. Motor e ferramenta. Transporte de carga e de gente.
Anos passados de uma vida sofrida, Branco faleceu. Fizeram-lhe todas as homenagens possíveis. Trataram de encomendar uma estátua para ser posta na praça da cidade. Deram-lhe todas as honras, apreço e carinho (simbólico, é claro) que lhe negaram durante toda a vida.
Assim todos ficaram satisfeitos, de consciência leve, livres da culpa e cheios de medalhas de caridade no peito. E o cavalo, morto.
Suzana suicidou-se.
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Anônimo da Silva
A minha pobreza é de vida,
Devida e não paga à morte.
É sorte não ter longa vida,
Mas que tem o pobre co'a sorte?
Se é forte dizer isso ainda,
É que há coração caridoso.
Se ver-me não te angustia,
És verme em carne e osso.
Osso do quadril me desponta
Se sento no banco da praça;
Me faz bem o arrulhar das pombas
Que em todos defecam de graça.
Que graça que faço que riste?
Se a vida é maior piada,
Que tudo na vida é tão triste,
Mas ri-se de tudo e de nada.
Se não faltar chuva pro banho,
Jornal-cobertor, pão de ontem,
Me faça o destino outro tanto
De bem, se não mudo meu nome.
De manhã acordo com fome,
Mentira! Nem durmo, faminto.
Será que mudando de nome
Engano a fome e o destino?
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Misteriosa vida
O que quer que seja a vida,
Não é fácil de viver.
A chegada e a partida
Pouco podem nos dizer
Dos caminhos percorridos,
Do aquém e além daqui,
Seja o que for a vida,
Não é fácil definir.
Ah, indecifrável vida,
Dá-me um pouco descobrir.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Redivivos
Às vezes o passado é tão presente e o distante está tão perto. É o que sentimos no almoço na casa da avó, no pão doce com cajuína (ou tubaína ou simba, alguns dirão “pastel com dindim” – eu mesmo poderia dizer), no abraço dos amigos, nas crianças jogando bolinha de gude ou “futebol de travinha”, ou rodando pião (sim, isso ainda existe aqui e ali). Estamos todo o tempo e o tempo inteiro perto de quem fomos e do que tivemos. Não só isso.
Às vezes, mas só às vezes mesmo, somos capazes de nos ver nos outros, de sentir que no sorriso do flanelinha mirim há um pedaço da infância da gente, de constatar que na cantoria do menino do pandeiro no ônibus há um “eu cantando no chuveiro”. Bobagem?
Se não fosse só “às vezes”, veríamos que, de fato, somos o passado, o presente e o futuro uns dos outros.
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Mais um
Noite nos olhos famintos
Fome nos lábios aflitos
Frio nos braços esguios
Tombo nos passos perdidos
Riso nas caras avaras
Pena nas almas penadas
Nojo nas alas mais altas
Vida por vida que passa
Outro indigente na praça.
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
Gotas de Melancolia
Manhã chuvosa
E If You Could Remenber:
Lembre-se que a vida passa
Como as chuvas insistentes,
Como o Sol tão desejado
Como o tempo, o hoje,
O agora e tudo mais.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Scio
Hoje eu sei
Que a vida finda em cada esquina
O que se vê
Não é a luz do dia que ainda
Vai nascer
O amor no coração, é minha sina
Assim crer
Que o descrer não me fascina
Mas você
Bem sabe que eu não cria
No que hoje sei.







