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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Envelhecendo



Não sei de que são feitos 
Os sonhos que sequer sonhei 
Só sei dos meus anseios 
E anseio por saber por que 
A vida é tão pesada 
E dura e tantas coisas mais 
É uma canção frustrada 
Na boca de um bom rapaz 
É um lenço na cabeça 
Seja por bem seja por mal 
É um baile ensaiado 
De máscaras de carnaval 
É um terço na mão boba 
Expressa fé, mas fé em quê? 
É qual notícia boa 
Que nunca não passa na tevê 
É trave, é prego, é lança 
Suor e sangue, pranto e morte 
A vida é uma criança 
Que sonha ser alguém mais forte 
Um dia acordei velho 
Pensei que era pesadelo 
E a vida disse aos berros 
Que eu dormi do fim pro meio 
Que andei de trás pra frente 
Que fiz papel de passar mal 
Que vivi crendo e crente 
Apostatei já no final 
Vendi a esperança 
Em troca de algum prazer 
Matei minha criança 
E fiz um velho eu nascer.

sábado, 26 de julho de 2014

matrimonium



Espero repleto de amor, 
Da cor de seus cabelos, 
Que a espera não cause mais dor 
E atenda aos meus apelos; 
Que vida reserve a nós dois, 
Além do alpendre e depois: 
A cumplicidade do laço, 
A serenidade dos barcos, 
E a felicidade de um dia de sol.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Desde sete de abril



Não te conheci e me apaixonei no mesmo instante. 
Te conheço e me apaixono, mais e mais, a cada dia. 
Não te achei maravilhosamente linda à primeira vista. 
Maravilho-me de tua beleza a cada novo olhar. 
Assim tenho te amado desde sete de abril.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Anônimo da Silva



A minha pobreza é de vida, 
Devida e não paga à morte. 
É sorte não ter longa vida, 
Mas que tem o pobre co'a sorte? 
Se é forte dizer isso ainda, 
É que há coração caridoso. 
Se ver-me não te angustia, 
És verme em carne e osso.

Osso do quadril me desponta 
Se sento no banco da praça; 
Me faz bem o arrulhar das pombas 
Que em todos defecam de graça. 
Que graça que faço que riste? 
Se a vida é maior piada, 
Que tudo na vida é tão triste, 
Mas ri-se de tudo e de nada.

Se não faltar chuva pro banho, 
Jornal-cobertor, pão de ontem, 
Me faça o destino outro tanto 
De bem, se não mudo meu nome. 
De manhã acordo com fome, 
Mentira! Nem durmo, faminto. 
Será que mudando de nome 
Engano a fome e o destino?

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