Não sei de que são feitos
Os sonhos que sequer sonhei
Só sei dos meus anseios
E anseio por saber por que
A vida é tão pesada
E dura e tantas coisas mais
É uma canção frustrada
Na boca de um bom rapaz
É um lenço na cabeça
Seja por bem seja por mal
É um baile ensaiado
De máscaras de carnaval
É um terço na mão boba
Expressa fé, mas fé em quê?
É qual notícia boa
Que nunca não passa na tevê
É trave, é prego, é lança
Suor e sangue, pranto e morte
A vida é uma criança
Que sonha ser alguém mais forte
Um dia acordei velho
Pensei que era pesadelo
E a vida disse aos berros
Que eu dormi do fim pro meio
Que andei de trás pra frente
Que fiz papel de passar mal
Que vivi crendo e crente
Apostatei já no final
Vendi a esperança
Em troca de algum prazer
Matei minha criança
E fiz um velho eu nascer.
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Envelhecendo
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Isaac Marinho
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sábado, 26 de julho de 2014
matrimonium
Espero repleto de amor,
Da cor de seus cabelos,
Que a espera não cause mais dor
E atenda aos meus apelos;
Que vida reserve a nós dois,
Além do alpendre e depois:
A cumplicidade do laço,
A serenidade dos barcos,
E a felicidade de um dia de sol.
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Isaac Marinho
às
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sexta-feira, 7 de março de 2014
Desde sete de abril
Não te conheci e me apaixonei no mesmo instante.
Te conheço e me apaixono, mais e mais, a cada dia.
Não te achei maravilhosamente linda à primeira vista.
Maravilho-me de tua beleza a cada novo olhar.
Assim tenho te amado desde sete de abril.
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Isaac Marinho
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Anônimo da Silva
A minha pobreza é de vida,
Devida e não paga à morte.
É sorte não ter longa vida,
Mas que tem o pobre co'a sorte?
Se é forte dizer isso ainda,
É que há coração caridoso.
Se ver-me não te angustia,
És verme em carne e osso.
Osso do quadril me desponta
Se sento no banco da praça;
Me faz bem o arrulhar das pombas
Que em todos defecam de graça.
Que graça que faço que riste?
Se a vida é maior piada,
Que tudo na vida é tão triste,
Mas ri-se de tudo e de nada.
Se não faltar chuva pro banho,
Jornal-cobertor, pão de ontem,
Me faça o destino outro tanto
De bem, se não mudo meu nome.
De manhã acordo com fome,
Mentira! Nem durmo, faminto.
Será que mudando de nome
Engano a fome e o destino?







