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Mostrando postagens com marcador verso. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Moribundo



Eu tenho um sonho suspeito
De nunca se realizar
Eu tenho, por Deus, o direito
De muito querer acordar

Eu tenho passado e presente
Vontade de me enxergar
Não tenho futuro à frente
Nem crença em que me apegar

Vou solto no vento da vida
Nem sei onde um dia vai dar
Mas peço em prece esquecida
Que Deus não me deixe falhar

Sou estrela quase apagada
Sou vela a se apagar
Sou sol a se por pela estrada
Que ao fim vai me ver descansar


Escrevi esses versos anteontem, tomado de ansiedade. Eles refletem como me sinto nessa luta que travo comigo quase todos os dias, com mais ou menos intensidade, desde que me entendo por gente.

sábado, 10 de abril de 2021

mysterium vitae



O mistério da vida está posto diante de nós 
E o ignoramos, deixando de ouvir sua voz 
E fingimos não vê-lo, que assim não nos pesa a culpa 
E queremos detê-lo a cada mentira e desculpa 
Se nos falta a fé de aceitar que a vida é preciosa 
Nos sobeja orgulho em torná-la tão vil e odiosa 
Que prazer temos eu e você em fingir que sabemos 
Que o mistério da vida é algo que sempre soubemos 
Se é mistério, de nada sabemos senão isto mesmo 
Que pensando poder compreender andaremos a esmo 
Procurando em vales a abismos o mistério da vida 
Sem lembrar que viver pode ser sua epifania 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Colapsando



Tive um ataque
Nada demais
Caí, chorei, me debati
Coisa de quem sofre
Coisa de quem vive
Mas não somente para si.

A vida é um baque
Às vezes mais
Se ri, se canta, se é feliz
Noutras só se sofre
E em todas se vive
Que viver é um cair em si.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Envelhecendo



Não sei de que são feitos 
Os sonhos que sequer sonhei 
Só sei dos meus anseios 
E anseio por saber por que 
A vida é tão pesada 
E dura e tantas coisas mais 
É uma canção frustrada 
Na boca de um bom rapaz 
É um lenço na cabeça 
Seja por bem seja por mal 
É um baile ensaiado 
De máscaras de carnaval 
É um terço na mão boba 
Expressa fé, mas fé em quê? 
É qual notícia boa 
Que nunca não passa na tevê 
É trave, é prego, é lança 
Suor e sangue, pranto e morte 
A vida é uma criança 
Que sonha ser alguém mais forte 
Um dia acordei velho 
Pensei que era pesadelo 
E a vida disse aos berros 
Que eu dormi do fim pro meio 
Que andei de trás pra frente 
Que fiz papel de passar mal 
Que vivi crendo e crente 
Apostatei já no final 
Vendi a esperança 
Em troca de algum prazer 
Matei minha criança 
E fiz um velho eu nascer.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Jumento Brasilino



O jumento Brasilino, 
Brasileiro que só ele, 
Pensou-se sabido e forte; 
Quis o dono que escolhesse. 
Mas o azar lhe foi destino 
E só más escolhas teve.

De primeira foi dum velho, 
Luiz do Bucho Furado; 
Falastrão, mas cabra esperto 
Fez-lhe logo de empregado. 
Brasilino, sem descanso, 
Tornou rico o iletrado.

De Luiz passou-se a Vana, 
Mulher ruim, dura na queda. 
Mas já veio meio frouxo 
E o serviço não deu trégua. 
Brasilino, haja a sofrer 
Quase morre o fi duma égua.

E se diz em Trapiá 
Que já busca outro dono. 
Quer de Vana escapar, 
Só não sabe quando e como. 
Se alguém aqui quiser, 
Seja do jumento o dono. 


(Mestre Kinho Fidabrão)

Publiquei este aqui.

O pseudônimo "Mestre Kinho Fidabrão" tem uma explicação: o título "Mestre" é algo que costumo usar, especialmente ao tratar com pessoas do meu convívio "trabalhístico" (e é algo que pego emprestado da fala do matuto). Kinho, além de ser o apelido (quase nome) de um colega de trabalho, é como soa o final do diminutivo de meu próprio nome. E, por fim, Fidabrão — Fi[lho] de Abrão/Abraão — é outra pista do meu nome.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Dia a dois



Dia mais quente, 
Cheiro da gente, 
Gosto de amor, 
Beijo de tchau 
E um olhar de até mais.

Meio do dia, 
Na correria, 
Almoço e afago, 
Doce e amargo, 
Da cama ao banho e o que mais.

No fim de tarde, 
Sem mais alarde, 
Conversa e tal, 
Olhar de amor, 
Do banho à cama e tudo mais.

Noite em mormaço, 
No pouco espaço, 
Beijos e abraços, 
Risos e estalos 
E um olhar de algo mais.


sábado, 27 de setembro de 2014

Me aguente



Copiar o amor dos poemas dos outros;
Seria tão pouco, pra não dizer nada.
Imitar cada gesto duma cena de amor;
Eu não sou bom ator, imagine a piada.

Me fazer Pierrot, de você, Colombina;
Carnaval não me anima, você deve saber.
Nem em cavalo branco chegarei montado;
Mas não chego atrasado, você sabe o porquê.

Tenho minhas manias e tiques e taques;
Talvez eu tenha TOC, mas que mal isso tem.
Se amar é o que vale, isso pode ser feito;
Só que tenho meu jeito, não imito ninguém.

Sei que estou te amando, é verdade, não minto;
Eu sei bem o que sinto, mas te custa entender
Que com tudo o que tenho em meu juízo pouco,
Meu amor é tão louco quanto eu posso ser.

Acredite ou não, esse amor é sincero;
Nada em troca eu espero, tudo bem se der ruim.
Mas se todo esse amor não é suficiente,
Meu amor, me aguente, não desista de mim.


sábado, 26 de julho de 2014

matrimonium



Espero repleto de amor, 
Da cor de seus cabelos, 
Que a espera não cause mais dor 
E atenda aos meus apelos; 
Que vida reserve a nós dois, 
Além do alpendre e depois: 
A cumplicidade do laço, 
A serenidade dos barcos, 
E a felicidade de um dia de sol.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ashita made



Acordar da vida, 
Despertar dos dias sem sentido. 
Ver que além da linha 
Do horizonte, logo ali, há um dia lindo. 
Indo e vindo os dias passam; 
Praça, porta a dentro, 
Venta, chove e faz sol. Talvez 
O adormecer da vida 
Não seja partida, seja até mais ver.

Acordado ainda, 
Desperto dos dias mal sentidos. 
Vejo que inda há vida; 
Além do horizonte há um dia vindo. 
Idos os dias passados, 
Porta a fora, a praça 
Pede festa até o sol nascer. 
Ao adormecer da vida 
Sinto que a partida é esperar rever.


domingo, 23 de março de 2014

Vincent



A turbidez da imagem sonhada 
Impressa a óleo sobre a tela 
Trazia à realidade clara 
A dor da alma por trás dela. 
Tão bela obra elaborada 
Por mente assaz perturbada 
Só poderia ser chamada 
De sonho em óleo sobre tela.

 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Palavras vadias



As palavras metidas 
Na métrica fria de versos, 
Vazias de vida e sentido, 
De amor desprovidas, 
Apenas se deixam usar... 
Palavras não sabem o que dizem.

 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Desde sete de abril



Não te conheci e me apaixonei no mesmo instante. 
Te conheço e me apaixono, mais e mais, a cada dia. 
Não te achei maravilhosamente linda à primeira vista. 
Maravilho-me de tua beleza a cada novo olhar. 
Assim tenho te amado desde sete de abril.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Anônimo da Silva



A minha pobreza é de vida, 
Devida e não paga à morte. 
É sorte não ter longa vida, 
Mas que tem o pobre co'a sorte? 
Se é forte dizer isso ainda, 
É que há coração caridoso. 
Se ver-me não te angustia, 
És verme em carne e osso.

Osso do quadril me desponta 
Se sento no banco da praça; 
Me faz bem o arrulhar das pombas 
Que em todos defecam de graça. 
Que graça que faço que riste? 
Se a vida é maior piada, 
Que tudo na vida é tão triste, 
Mas ri-se de tudo e de nada.

Se não faltar chuva pro banho, 
Jornal-cobertor, pão de ontem, 
Me faça o destino outro tanto 
De bem, se não mudo meu nome. 
De manhã acordo com fome, 
Mentira! Nem durmo, faminto. 
Será que mudando de nome 
Engano a fome e o destino?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Misteriosa vida



O que quer que seja a vida, 
Não é fácil de viver. 
A chegada e a partida 
Pouco podem nos dizer 
Dos caminhos percorridos, 
Do aquém e além daqui, 
Seja o que for a vida, 
Não é fácil definir. 
Ah, indecifrável vida, 
Dá-me um pouco descobrir.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Saudoso



Amor, deixe essa porta aberta 
Deixe-me ver tua sombra 
Curar essa solidão 
Amor, cante ao tomar seu banho 
Deixe seu canto mavioso 
Lavar o meu coração 
Amor, deixe seu cheiro no quarto 
Quando calçar seus sapatos 
E finalmente partir 
Amor, só não me deixe esperando 
Tão logo termine o dia 
Volte depressa pra mim.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Devotamente



Ao vê-la apelo 
À vela peço 
Que não se apague 
Que eu não me apegue 
Que ela não vague 
Que eu não me entregue 
Que o amor não falhe 
Que a vida breve 
Não nos reserve 
Qualquer flagelo 
Ao vê-la peço 
Que a vela apague.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Absentia



Estou farto dos meus exageros 
De não me por de pé sem teu beijo 
De não tomar café sem teu riso 
De não ir trabalhar sem teu cheiro 
De voltar sem achar-te à espera 
De jantar sem ter u'a companhia 
De não ter tudo mais o que eras 
De deitar numa cama vazia.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Via dolorosa



Ouvi Abismo de Rosas, 
Perguntei-me por espinhos. 
Nada deles há ali. 
Dei-me então por satisfeito, 
Saciado de ouvir. 
Abriguei-me em um livro 
Que de rosas nada tinha, 
Mas espinhos, 
Mais espinhos 
Que as rosas do jardim.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Declaração



Não sou mar, espelho do teu céu 
Sou arte em pedra, tesoura e papel 
Não sei mais que ser o que já sou 
Sou o vento veloz em pleno voo 
Sou o bronze do sino e por ti soo 
Sou o que sou e findo sendo teu.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Comercial



Banhe-se 
Vista-se 
Perfume-se 
Aventure-se 
Dispa-se 
Venda-se 
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