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Mostrando postagens com marcador versos. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Desligando-se



Aperta o pitoco da vida, que o som do choro vai baixando até o silêncio.
Deixa estar assim.
Deixa o hoje por hoje. Vai fazer teu amanhã em sonho.
Dorme com os anjos. Dorme sem fome nem frio.
Dorme tranquilo. Dorme o derradeiro sono.
Que o raiar do sol sem fim te acorde no além.

Perdido originalmente em 18/10/2021, no Twitter.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Colapsando



Tive um ataque
Nada demais
Caí, chorei, me debati
Coisa de quem sofre
Coisa de quem vive
Mas não somente para si.

A vida é um baque
Às vezes mais
Se ri, se canta, se é feliz
Noutras só se sofre
E em todas se vive
Que viver é um cair em si.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Envelhecendo



Não sei de que são feitos 
Os sonhos que sequer sonhei 
Só sei dos meus anseios 
E anseio por saber por que 
A vida é tão pesada 
E dura e tantas coisas mais 
É uma canção frustrada 
Na boca de um bom rapaz 
É um lenço na cabeça 
Seja por bem seja por mal 
É um baile ensaiado 
De máscaras de carnaval 
É um terço na mão boba 
Expressa fé, mas fé em quê? 
É qual notícia boa 
Que nunca não passa na tevê 
É trave, é prego, é lança 
Suor e sangue, pranto e morte 
A vida é uma criança 
Que sonha ser alguém mais forte 
Um dia acordei velho 
Pensei que era pesadelo 
E a vida disse aos berros 
Que eu dormi do fim pro meio 
Que andei de trás pra frente 
Que fiz papel de passar mal 
Que vivi crendo e crente 
Apostatei já no final 
Vendi a esperança 
Em troca de algum prazer 
Matei minha criança 
E fiz um velho eu nascer.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Psicose



Os loucos só sonham com a vida normal 
Com o mundo real, tudo normalizado 
Sonham homens, mulheres da vida real 
Sonhos todos reais, tudo realizado 
Sonham casas, famílias e empregos normais 
Sonham o ideal, tudo idealizado 
Sonham tudo o que existe de bem e de mal 
Sonham com todo caos desse mundo ordenado 
Sonham tanto que acordam sem ar e sem paz 
Sonham serem normais e acordam surtados.

terça-feira, 17 de março de 2015

Pela glória



Que ideias que nada! 
É o discurso inflamado que nos move, 
Inda que mostre-se vazio de sentido. 
Que ideais coisa nenhuma! 
É pelas cores das bandeiras que lutamos, 
Mesmo que estejam encardidas de desvios. 
Que vida que vivemos! 
Que morte morreremos! 
Que herança que deixamos? 
Que história escreveremos? 
Que lástima!


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Acalanto



Dorme, criança 
Nos braços da mãe faminta 
Agarrada a um peito seco.

Sonha, criança 
Que há leite e inda há vida 
Que é teu quarto esse beco.

Dorme, pequena 
Tua mãe cessou os rogos 
Entregou-se e foi-se em paz.

Dorme, serena 
Nunca mais abras teus olhos 
Deixa o mundo triste e vai.



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Esquindô



Não sei se o dia vai morrer de dor. 
Será que o céu vai devolver a cor 
Que o fim da tarde sempre esconde 
E faz sumir no horizonte? 
E o som do bonde 
Ao seu adeus responde. 
E ao meu olá, talvez.

Será que a noite vai querer dormir? 
Não sei se a lua vai querer sair, 
Que a noite é uma criança grande 
E quer brincar de pique-esconde. 
E não sei onde 
O seu adeus ecoa. 
E o meu olá, de boa.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Afundando



Na solidão do meu quarto 
No parto de ideias tristes 
Lamento meu despreparo 
Face a tudo que existe 
E perco o precioso tempo 
Envolto em mil suicídios 
E acordo do pesadelo 
Com corda, cacos de vidro 
E viro pro outro lado 
Secando o suor de sangue 
E durmo mal embalado 
Afogado em meio ao mangue.

 

sábado, 15 de março de 2014

Quedê?



Onde estará o meu maço de ideias? 
Onde andará meu buquê de esperanças? 
Onde deixei minha caixa de sonhos? 
Onde é que está meu amor de infância?

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mais um



Noite nos olhos famintos 
Fome nos lábios aflitos 
Frio nos braços esguios 
Tombo nos passos perdidos 
Riso nas caras avaras 
Pena nas almas penadas 
Nojo nas alas mais altas 
Vida por vida que passa 
Outro indigente na praça.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Scio



Hoje eu sei 
Que a vida finda em cada esquina 
O que se vê 
Não é a luz do dia que ainda 
Vai nascer 
O amor no coração, é minha sina 
Assim crer 
Que o descrer não me fascina 
Mas você 
Bem sabe que eu não cria 
No que hoje sei.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Comercial



Banhe-se 
Vista-se 
Perfume-se 
Aventure-se 
Dispa-se 
Venda-se 
Anuncie aqui.


sábado, 18 de maio de 2013

Selé



Ela falou: quero pintar o cabelo. 
Disse: eu quero vermelho 
E vai ter que ser assim. 
Ela insiste em brigar com o espelho 
E, se eu fico no meio, 
A coisa sobra pra mim. 
Eu não entendo essa mania, essa manha, 
Mas se eu falar, ela estranha, 
Então é melhor calar. 
E quando calo ela puxa conversa. 
Quero ficar fora dessa 
E ela quer conversar. 
Fala do peso, duma unha quebrada. 
Eu não entendo mais nada, 
Ela parece tão bem. 
Ela reclama que está feia e está gorda. 
Acho que está mais pra doida, 
Mas é melhor dizer nem. 
Ela é tão linda que me deixa abobado 
E, se estou ao seu lado, 
Eu mal consigo pensar. 
Se digo a ela tudo isso que sinto, 
Ela acha tudo tão lindo, 
Mas logo deixa pra lá. 
Volta a falar que está cansada de tudo, 
Que desabou o seu mundo, 
Pois sua bolsa estragou. 
Chora o sapato que morreu anteontem, 
Lamenta a falta de fome 
E grita que engordou. 
Fico perdido nessa conversa dela, 
Mas gosto de estar com ela. 
Até aqui, tudo bem. 
Mas se um dia ela ficar maluca, 
Com tanta coisa na cuca, 
Eu fico doido também.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Atriz



Nada diz do que sente de fato. 
Ameaça morrer em meus braços, 
Mas desvia o olhar do meu rosto 
E se afasta de mim pouco a pouco.

Dá-se a me entreter com suas manhas. 
Faz-me mosca em teia de aranha 
E me arranha o peito e o juízo, 
Mesmo a alma se achar preciso.

Faz de mim um brinquedo em seu jogo 
E me deixa posando de bobo. 
Mas se lhe dou afeto, se afasta, 
Me abandona qual roupa já gasta.

Dispensado do seu figurino, 
Sinto ser nada mais que um menino. 
Quando ela voltar a ter fome, 
O menino será o seu homem.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Incendiário



Olhos de fogo 
Fitam a fonte 
Do amor que arde, 
Do ardor que invade 
E incendeia 
E incinera 
O peito, 
A vida 
E tudo mais.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

À brinca



Mande prender 
O cabelo da menina, 
Nossa roupa no varal 
E o cachorro da vizinha,  
Que bagunça o meu quintal. 
Que se faça a justiça, 
Inda que de brincadeira. 
Que se siga a regra à risca 
Ou que, de qualquer maneira, 
Se insista em segui-la.

Mande soltar 
Papagaio, arraia, pipa; 
Que brinquedo não faz mal. 
Se fizer, chame a polícia, 
Mande cartas pro jornal. 
Que esse mal vire notícia, 
Pra ver se o bem se ajeita 
E acaba essa injustiça. 
Mesmo que de brincadeira, 
Quero a vida bem tranquila.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

unvermeidlich



Do amanhã, o que sei 
É que não será mais amanhã 
Ao chegar, sim, 
Pois se tornará em hoje. 
E do hoje, o que penso 
É que depressa se vai 
E, ao chegar o amanhã 
E o nome lhe tomar, 
Este hoje será ontem 
Sem que eu possa lamentar.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Samsara



Tantas vidas dentro da cabeça 
Que mal vivo a minha de verdade. 
Tanto esforço pra que eu esqueça 
Dessas vidas e de seus detalhes, 
Dos entalhes da moldura delas, 
Das vielas de seus mil lugares, 
De suas praças repletas de gente, 
Dos amigos bebendo nos bares, 
Dos amores vividos e extintos, 
Dos instintos de sei lá o quê. 
Dessas vidas todas o que sinto 
É o desejo de não mais viver.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Até logo



Triste é ter o amor distante, 
Inda que por pouco tempo. 
Dói querer e a cada instante 
Não ter um abraço ou beijo. 
Dói no peito, dói demais. 
Nem na morte haverá paz, 
Que ela é separação. 
E essa dor, só a união 
Com o nosso amor desfaz.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Peregrino (Vagabundo)



Venho de bem longe, 
De além de logo ali. 
Trago na bagagem 
O que o tempo me deu. 
Vou pra não sei onde, 
Vagueando por aí. 
Vivo de passagem 
Entre o oi e o adeus.

— 
O título 'Peregrino' é contribuição da minha querida Jéssica Karoline.


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