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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Desligando-se
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segunda-feira, 15 de março de 2021
Colapsando
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Envelhecendo
Não sei de que são feitos
Os sonhos que sequer sonhei
Só sei dos meus anseios
E anseio por saber por que
A vida é tão pesada
E dura e tantas coisas mais
É uma canção frustrada
Na boca de um bom rapaz
É um lenço na cabeça
Seja por bem seja por mal
É um baile ensaiado
De máscaras de carnaval
É um terço na mão boba
Expressa fé, mas fé em quê?
É qual notícia boa
Que nunca não passa na tevê
É trave, é prego, é lança
Suor e sangue, pranto e morte
A vida é uma criança
Que sonha ser alguém mais forte
Um dia acordei velho
Pensei que era pesadelo
E a vida disse aos berros
Que eu dormi do fim pro meio
Que andei de trás pra frente
Que fiz papel de passar mal
Que vivi crendo e crente
Apostatei já no final
Vendi a esperança
Em troca de algum prazer
Matei minha criança
E fiz um velho eu nascer.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
Psicose
Os loucos só sonham com a vida normal
Com o mundo real, tudo normalizado
Sonham homens, mulheres da vida real
Sonhos todos reais, tudo realizado
Sonham casas, famílias e empregos normais
Sonham o ideal, tudo idealizado
Sonham tudo o que existe de bem e de mal
Sonham com todo caos desse mundo ordenado
Sonham tanto que acordam sem ar e sem paz
Sonham serem normais e acordam surtados.
terça-feira, 17 de março de 2015
Pela glória
Que ideias que nada!
É o discurso inflamado que nos move,
Inda que mostre-se vazio de sentido.
Que ideais coisa nenhuma!
É pelas cores das bandeiras que lutamos,
Mesmo que estejam encardidas de desvios.
Que vida que vivemos!
Que morte morreremos!
Que herança que deixamos?
Que história escreveremos?
Que lástima!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Acalanto
Dorme, criança
Nos braços da mãe faminta
Agarrada a um peito seco.
Sonha, criança
Que há leite e inda há vida
Que é teu quarto esse beco.
Dorme, pequena
Tua mãe cessou os rogos
Entregou-se e foi-se em paz.
Dorme, serena
Nunca mais abras teus olhos
Deixa o mundo triste e vai.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Esquindô
Não sei se o dia vai morrer de dor.
Será que o céu vai devolver a cor
Que o fim da tarde sempre esconde
E faz sumir no horizonte?
E o som do bonde
Ao seu adeus responde.
E ao meu olá, talvez.
Será que a noite vai querer dormir?
Não sei se a lua vai querer sair,
Que a noite é uma criança grande
E quer brincar de pique-esconde.
E não sei onde
O seu adeus ecoa.
E o meu olá, de boa.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Afundando
Na solidão do meu quarto
No parto de ideias tristes
Lamento meu despreparo
Face a tudo que existe
E perco o precioso tempo
Envolto em mil suicídios
E acordo do pesadelo
Com corda, cacos de vidro
E viro pro outro lado
Secando o suor de sangue
E durmo mal embalado
Afogado em meio ao mangue.
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sábado, 15 de março de 2014
Quedê?
Onde estará o meu maço de ideias?
Onde andará meu buquê de esperanças?
Onde deixei minha caixa de sonhos?
Onde é que está meu amor de infância?
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Mais um
Noite nos olhos famintos
Fome nos lábios aflitos
Frio nos braços esguios
Tombo nos passos perdidos
Riso nas caras avaras
Pena nas almas penadas
Nojo nas alas mais altas
Vida por vida que passa
Outro indigente na praça.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Scio
Hoje eu sei
Que a vida finda em cada esquina
O que se vê
Não é a luz do dia que ainda
Vai nascer
O amor no coração, é minha sina
Assim crer
Que o descrer não me fascina
Mas você
Bem sabe que eu não cria
No que hoje sei.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Comercial
Banhe-se
Vista-se
Perfume-se
Aventure-se
Dispa-se
Venda-se
Anuncie aqui.
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sábado, 18 de maio de 2013
Selé
Ela falou: quero pintar o cabelo.
Disse: eu quero vermelho
E vai ter que ser assim.
Ela insiste em brigar com o espelho
E, se eu fico no meio,
A coisa sobra pra mim.
Eu não entendo essa mania, essa manha,
Mas se eu falar, ela estranha,
Então é melhor calar.
E quando calo ela puxa conversa.
Quero ficar fora dessa
E ela quer conversar.
Fala do peso, duma unha quebrada.
Eu não entendo mais nada,
Ela parece tão bem.
Ela reclama que está feia e está gorda.
Acho que está mais pra doida,
Mas é melhor dizer nem.
Ela é tão linda que me deixa abobado
E, se estou ao seu lado,
Eu mal consigo pensar.
Se digo a ela tudo isso que sinto,
Ela acha tudo tão lindo,
Mas logo deixa pra lá.
Volta a falar que está cansada de tudo,
Que desabou o seu mundo,
Pois sua bolsa estragou.
Chora o sapato que morreu anteontem,
Lamenta a falta de fome
E grita que engordou.
Fico perdido nessa conversa dela,
Mas gosto de estar com ela.
Até aqui, tudo bem.
Mas se um dia ela ficar maluca,
Com tanta coisa na cuca,
Eu fico doido também.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Atriz
Nada diz do que sente de fato.
Ameaça morrer em meus braços,
Mas desvia o olhar do meu rosto
E se afasta de mim pouco a pouco.
Dá-se a me entreter com suas manhas.
Faz-me mosca em teia de aranha
E me arranha o peito e o juízo,
Mesmo a alma se achar preciso.
Faz de mim um brinquedo em seu jogo
E me deixa posando de bobo.
Mas se lhe dou afeto, se afasta,
Me abandona qual roupa já gasta.
Dispensado do seu figurino,
Sinto ser nada mais que um menino.
Quando ela voltar a ter fome,
O menino será o seu homem.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Incendiário
Olhos de fogo
Fitam a fonte
Do amor que arde,
Do ardor que invade
E incendeia
E incinera
O peito,
A vida
E tudo mais.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
À brinca
Mande prender
O cabelo da menina,
Nossa roupa no varal
E o cachorro da vizinha,
Que bagunça o meu quintal.
Que se faça a justiça,
Inda que de brincadeira.
Que se siga a regra à risca
Ou que, de qualquer maneira,
Se insista em segui-la.
Mande soltar
Papagaio, arraia, pipa;
Que brinquedo não faz mal.
Se fizer, chame a polícia,
Mande cartas pro jornal.
Que esse mal vire notícia,
Pra ver se o bem se ajeita
E acaba essa injustiça.
Mesmo que de brincadeira,
Quero a vida bem tranquila.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
unvermeidlich
Do amanhã, o que sei
É que não será mais amanhã
Ao chegar, sim,
Pois se tornará em hoje.
E do hoje, o que penso
É que depressa se vai
E, ao chegar o amanhã
E o nome lhe tomar,
Este hoje será ontem
Sem que eu possa lamentar.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Samsara
Tantas vidas dentro da cabeça
Que mal vivo a minha de verdade.
Tanto esforço pra que eu esqueça
Dessas vidas e de seus detalhes,
Dos entalhes da moldura delas,
Das vielas de seus mil lugares,
De suas praças repletas de gente,
Dos amigos bebendo nos bares,
Dos amores vividos e extintos,
Dos instintos de sei lá o quê.
Dessas vidas todas o que sinto
É o desejo de não mais viver.
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
Até logo
Triste é ter o amor distante,
Inda que por pouco tempo.
Dói querer e a cada instante
Não ter um abraço ou beijo.
Dói no peito, dói demais.
Nem na morte haverá paz,
Que ela é separação.
E essa dor, só a união
Com o nosso amor desfaz.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
Peregrino (Vagabundo)
Venho de bem longe,
De além de logo ali.
Trago na bagagem
O que o tempo me deu.
Vou pra não sei onde,
Vagueando por aí.
Vivo de passagem
Entre o oi e o adeus.
—
O título 'Peregrino' é contribuição da minha querida Jéssica Karoline.







