Na solidão do meu quarto
No parto de ideias tristes
Lamento meu despreparo
Face a tudo que existe
E perco o precioso tempo
Envolto em mil suicídios
E acordo do pesadelo
Com corda, cacos de vidro
E viro pro outro lado
Secando o suor de sangue
E durmo mal embalado
Afogado em meio ao mangue.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Afundando
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Isaac Marinho
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Redivivos
Às vezes o passado é tão presente e o distante está tão perto. É o que sentimos no almoço na casa da avó, no pão doce com cajuína (ou tubaína ou simba, alguns dirão “pastel com dindim” – eu mesmo poderia dizer), no abraço dos amigos, nas crianças jogando bolinha de gude ou “futebol de travinha”, ou rodando pião (sim, isso ainda existe aqui e ali). Estamos todo o tempo e o tempo inteiro perto de quem fomos e do que tivemos. Não só isso.
Às vezes, mas só às vezes mesmo, somos capazes de nos ver nos outros, de sentir que no sorriso do flanelinha mirim há um pedaço da infância da gente, de constatar que na cantoria do menino do pandeiro no ônibus há um “eu cantando no chuveiro”. Bobagem?
Se não fosse só “às vezes”, veríamos que, de fato, somos o passado, o presente e o futuro uns dos outros.
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Isaac Marinho
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Introspecto
Chegada a hora,
A hora precisa ir embora
No exato momento em que chega
E nem faz menção de voltar.
Envolto em planos,
Em segundo plano deixado,
Espero o próximo ato,
Que a espera me ensina a esperar.
Ando parado,
Andejo em meus pensamentos,
Mas estagnado dos feitos.
Nem sei se viver eu sei mais.
Fico sozinho
No escuro do quarto que habito.
Em silêncio alço meu grito
De quem luta em busca de paz.
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Isaac Marinho
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
unvermeidlich
Do amanhã, o que sei
É que não será mais amanhã
Ao chegar, sim,
Pois se tornará em hoje.
E do hoje, o que penso
É que depressa se vai
E, ao chegar o amanhã
E o nome lhe tomar,
Este hoje será ontem
Sem que eu possa lamentar.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Samsara
Tantas vidas dentro da cabeça
Que mal vivo a minha de verdade.
Tanto esforço pra que eu esqueça
Dessas vidas e de seus detalhes,
Dos entalhes da moldura delas,
Das vielas de seus mil lugares,
De suas praças repletas de gente,
Dos amigos bebendo nos bares,
Dos amores vividos e extintos,
Dos instintos de sei lá o quê.
Dessas vidas todas o que sinto
É o desejo de não mais viver.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Pensando em círculos
Pensamento fez nascer mais uma ideia,
Coisa que parece boba, mas é séria;
Tem a ver com meus sucessos e fracassos
E aborda a insegurança dos meus passos.
Eu achei por bem deixá-la mais madura,
Para então colhê-la muito mais segura;
Mas paciência não é coisa que se compra
E a minha não estava assim tão pronta.
Desisti de esperar melhor momento
E colhi a minha ideia em argumento
E ele não se demonstrou tão consistente
E eu voltei ao pensamento novamente.
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domingo, 22 de maio de 2011
Pensando fora da caixa
Velha caixa de sapatos,
Penso fora de você.
Penso além do seu espaço;
Penso em meias e cadarços.
Sei que ainda sou calçado,
Mas não fico limitado
Ao que devo parecer.
Velha caixa de sapatos,
Sinto muito por você.
Quer conter em seu regaço
Tudo o que penso ou faço.
Abandone o que é passado!
O fato de eu ser calçado
Não depende de você.
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Caótico
Os livros que leio me deixam pensando
Se a vida é realidade ou sonho;
Se sonho e não realizo o que penso
E sigo fazendo do sonho um tormento,
Se penso e não realizo o que sonho
E levo a vida vagando, tristonho.
—
Nota: O título foi sugestão da minha querida Queijo com Goiabada.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Pensandecido
Pelas frestas da janela vejo a rua,
Observo a velha praça, seminua,
Que se cobre apenas de alguns mendigos;
Nem parece a mesma praça dos domingos.
A cidade está dormindo, ao que parece,
E o vento passa uivando uma prece.
Talvez peça pela gente que se deita
Nesses bancos — nessas “camas” tão estreitas —
Que usa folhas de jornal qual cobertor,
Como o pobre que um garoto incendiou.
Não sei como pode se viver assim...
Tenho um quarto acolchoado só pra mim;
E por que eles precisam não ter teto?
Por que dormem nesses bancos de concreto?
Mesmo um homem como eu, lélé da cuca,
Sabe que eles não merecem essas ruas;
E as crianças, que hoje brincam de usar droga,
Deveriam estar todas na escola.
Mas essas ideias são de um maluco,
Coisas que eu vejo, ouço e enculco.
Talvez nem mereçam sua atenção;
Importante é uma tal de “eleição”.
Sua vida não tem nada a ver com isso,
Mas e se você acordasse mendigo?
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Isaac Marinho
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segunda-feira, 30 de março de 2009
Das Perdas Que Sofri
Perdi boa parte da vida tentando ganhar a vida;
Perdi um bocado de amigos tentando fazer amizades;
Perdi dinheiro tentando ganhar dinheiro;
Perdi o amor de alguém buscando alguém que me amasse;
Perdi tempo tentando correr atrás do tempo perdido;
Perdi a razão de viver tentando encontrar uma razão para estar vivo.
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Isaac Marinho
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
A todo tempo
Não queria que o tempo parasse...
Queria que ele andasse mais devagar,
Para aproveitarmos cada segundo,
Para estarmos juntos por mais um instante,
Para vivermos intensamente este momento.
Mas se o tempo não é tão lento,
Não menos veloz é o pensamento;
E, mesmo distante, é em você que penso.
Passa o tempo...
Mas você não me sai do pensamento.
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Isaac Marinho
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