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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Desligando-se
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segunda-feira, 15 de março de 2021
Colapsando
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sábado, 9 de maio de 2020
Querido diário
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
Psicose
Os loucos só sonham com a vida normal
Com o mundo real, tudo normalizado
Sonham homens, mulheres da vida real
Sonhos todos reais, tudo realizado
Sonham casas, famílias e empregos normais
Sonham o ideal, tudo idealizado
Sonham tudo o que existe de bem e de mal
Sonham com todo caos desse mundo ordenado
Sonham tanto que acordam sem ar e sem paz
Sonham serem normais e acordam surtados.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Dia desses
Atílio, Nestor e José conversando sobre a dura vida do brasileiro.
Atílio, revoltado, resmungou:
— E o preço da gasolina, hein, Nestor?!
Nestor, indiferente diz:
— Sei lá, Atílio. Ando de bicicleta ou a pé. Não vejo diferença.
Agora, me diz uma coisa, José. E essa cesta básica, hein? Tá quase virando punhado básico…
José interrompe:
— Não me faz falta, Nestor. Passo fome desde a inauguração de Brasília. E se eu tivesse dinheiro pra um litro de gasolina que fosse, ensoparia meus trapos e tacaria fogo em meus restos viventes…
Atílio e Nestor exclamam a uma:
— Com que isqueiro?!
— Com que fósforos?!
José responde com um sorriso maroto:
— O que não faltam são bitucas, caros amigos.
Todos suspiram aliviados. E cada um vai para sua mansão, casa e praça, respectivamente.
Obs.: O aniversário de José e de Brasília é coincidente, nada mais que isso. Vai dizer que nenhum brasileiro sofredor nasceu naquele 21 de abril de 1960?
O triste é que o José vem sofrendo desde o berço (se é que ele teve um).
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terça-feira, 17 de março de 2015
Pela glória
Que ideias que nada!
É o discurso inflamado que nos move,
Inda que mostre-se vazio de sentido.
Que ideais coisa nenhuma!
É pelas cores das bandeiras que lutamos,
Mesmo que estejam encardidas de desvios.
Que vida que vivemos!
Que morte morreremos!
Que herança que deixamos?
Que história escreveremos?
Que lástima!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Acalanto
Dorme, criança
Nos braços da mãe faminta
Agarrada a um peito seco.
Sonha, criança
Que há leite e inda há vida
Que é teu quarto esse beco.
Dorme, pequena
Tua mãe cessou os rogos
Entregou-se e foi-se em paz.
Dorme, serena
Nunca mais abras teus olhos
Deixa o mundo triste e vai.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Esquindô
Não sei se o dia vai morrer de dor.
Será que o céu vai devolver a cor
Que o fim da tarde sempre esconde
E faz sumir no horizonte?
E o som do bonde
Ao seu adeus responde.
E ao meu olá, talvez.
Será que a noite vai querer dormir?
Não sei se a lua vai querer sair,
Que a noite é uma criança grande
E quer brincar de pique-esconde.
E não sei onde
O seu adeus ecoa.
E o meu olá, de boa.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Afundando
Na solidão do meu quarto
No parto de ideias tristes
Lamento meu despreparo
Face a tudo que existe
E perco o precioso tempo
Envolto em mil suicídios
E acordo do pesadelo
Com corda, cacos de vidro
E viro pro outro lado
Secando o suor de sangue
E durmo mal embalado
Afogado em meio ao mangue.
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sábado, 27 de setembro de 2014
Me aguente
Copiar o amor dos poemas dos outros;
Seria tão pouco, pra não dizer nada.
Imitar cada gesto duma cena de amor;
Eu não sou bom ator, imagine a piada.
Me fazer Pierrot, de você, Colombina;
Carnaval não me anima, você deve saber.
Nem em cavalo branco chegarei montado;
Mas não chego atrasado, você sabe o porquê.
Tenho minhas manias e tiques e taques;
Talvez eu tenha TOC, mas que mal isso tem.
Se amar é o que vale, isso pode ser feito;
Só que tenho meu jeito, não imito ninguém.
Sei que estou te amando, é verdade, não minto;
Eu sei bem o que sinto, mas te custa entender
Que com tudo o que tenho em meu juízo pouco,
Meu amor é tão louco quanto eu posso ser.
Acredite ou não, esse amor é sincero;
Nada em troca eu espero, tudo bem se der ruim.
Mas se todo esse amor não é suficiente,
Meu amor, me aguente, não desista de mim.
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sábado, 16 de agosto de 2014
Branco
Suzana tinha um cavalo amarelo. Seu nome era Branco.
Não era um animal de passeio nem de exibição. Era um animal trabalhador. Motor e ferramenta. Transporte de carga e de gente.
Anos passados de uma vida sofrida, Branco faleceu. Fizeram-lhe todas as homenagens possíveis. Trataram de encomendar uma estátua para ser posta na praça da cidade. Deram-lhe todas as honras, apreço e carinho (simbólico, é claro) que lhe negaram durante toda a vida.
Assim todos ficaram satisfeitos, de consciência leve, livres da culpa e cheios de medalhas de caridade no peito. E o cavalo, morto.
Suzana suicidou-se.
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sábado, 26 de julho de 2014
matrimonium
Espero repleto de amor,
Da cor de seus cabelos,
Que a espera não cause mais dor
E atenda aos meus apelos;
Que vida reserve a nós dois,
Além do alpendre e depois:
A cumplicidade do laço,
A serenidade dos barcos,
E a felicidade de um dia de sol.
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
Ashita made
Acordar da vida,
Despertar dos dias sem sentido.
Ver que além da linha
Do horizonte, logo ali, há um dia lindo.
Indo e vindo os dias passam;
Praça, porta a dentro,
Venta, chove e faz sol. Talvez
O adormecer da vida
Não seja partida, seja até mais ver.
Acordado ainda,
Desperto dos dias mal sentidos.
Vejo que inda há vida;
Além do horizonte há um dia vindo.
Idos os dias passados,
Porta a fora, a praça
Pede festa até o sol nascer.
Ao adormecer da vida
Sinto que a partida é esperar rever.
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domingo, 23 de março de 2014
Vincent
A turbidez da imagem sonhada
Impressa a óleo sobre a tela
Trazia à realidade clara
A dor da alma por trás dela.
Tão bela obra elaborada
Por mente assaz perturbada
Só poderia ser chamada
De sonho em óleo sobre tela.
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sábado, 15 de março de 2014
Quedê?
Onde estará o meu maço de ideias?
Onde andará meu buquê de esperanças?
Onde deixei minha caixa de sonhos?
Onde é que está meu amor de infância?
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sexta-feira, 14 de março de 2014
Palavras vadias
As palavras metidas
Na métrica fria de versos,
Vazias de vida e sentido,
De amor desprovidas,
Apenas se deixam usar...
Palavras não sabem o que dizem.
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sexta-feira, 7 de março de 2014
Desde sete de abril
Não te conheci e me apaixonei no mesmo instante.
Te conheço e me apaixono, mais e mais, a cada dia.
Não te achei maravilhosamente linda à primeira vista.
Maravilho-me de tua beleza a cada novo olhar.
Assim tenho te amado desde sete de abril.
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Anônimo da Silva
A minha pobreza é de vida,
Devida e não paga à morte.
É sorte não ter longa vida,
Mas que tem o pobre co'a sorte?
Se é forte dizer isso ainda,
É que há coração caridoso.
Se ver-me não te angustia,
És verme em carne e osso.
Osso do quadril me desponta
Se sento no banco da praça;
Me faz bem o arrulhar das pombas
Que em todos defecam de graça.
Que graça que faço que riste?
Se a vida é maior piada,
Que tudo na vida é tão triste,
Mas ri-se de tudo e de nada.
Se não faltar chuva pro banho,
Jornal-cobertor, pão de ontem,
Me faça o destino outro tanto
De bem, se não mudo meu nome.
De manhã acordo com fome,
Mentira! Nem durmo, faminto.
Será que mudando de nome
Engano a fome e o destino?
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Misteriosa vida
O que quer que seja a vida,
Não é fácil de viver.
A chegada e a partida
Pouco podem nos dizer
Dos caminhos percorridos,
Do aquém e além daqui,
Seja o que for a vida,
Não é fácil definir.
Ah, indecifrável vida,
Dá-me um pouco descobrir.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Redivivos
Às vezes o passado é tão presente e o distante está tão perto. É o que sentimos no almoço na casa da avó, no pão doce com cajuína (ou tubaína ou simba, alguns dirão “pastel com dindim” – eu mesmo poderia dizer), no abraço dos amigos, nas crianças jogando bolinha de gude ou “futebol de travinha”, ou rodando pião (sim, isso ainda existe aqui e ali). Estamos todo o tempo e o tempo inteiro perto de quem fomos e do que tivemos. Não só isso.
Às vezes, mas só às vezes mesmo, somos capazes de nos ver nos outros, de sentir que no sorriso do flanelinha mirim há um pedaço da infância da gente, de constatar que na cantoria do menino do pandeiro no ônibus há um “eu cantando no chuveiro”. Bobagem?
Se não fosse só “às vezes”, veríamos que, de fato, somos o passado, o presente e o futuro uns dos outros.
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Isaac Marinho
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