Ela falou: quero pintar o cabelo.
Disse: eu quero vermelho
E vai ter que ser assim.
Ela insiste em brigar com o espelho
E, se eu fico no meio,
A coisa sobra pra mim.
Eu não entendo essa mania, essa manha,
Mas se eu falar, ela estranha,
Então é melhor calar.
E quando calo ela puxa conversa.
Quero ficar fora dessa
E ela quer conversar.
Fala do peso, duma unha quebrada.
Eu não entendo mais nada,
Ela parece tão bem.
Ela reclama que está feia e está gorda.
Acho que está mais pra doida,
Mas é melhor dizer nem.
Ela é tão linda que me deixa abobado
E, se estou ao seu lado,
Eu mal consigo pensar.
Se digo a ela tudo isso que sinto,
Ela acha tudo tão lindo,
Mas logo deixa pra lá.
Volta a falar que está cansada de tudo,
Que desabou o seu mundo,
Pois sua bolsa estragou.
Chora o sapato que morreu anteontem,
Lamenta a falta de fome
E grita que engordou.
Fico perdido nessa conversa dela,
Mas gosto de estar com ela.
Até aqui, tudo bem.
Mas se um dia ela ficar maluca,
Com tanta coisa na cuca,
Eu fico doido também.
sábado, 18 de maio de 2013
Selé
Perdido por
Isaac Marinho
às
20:28
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Atriz
Nada diz do que sente de fato.
Ameaça morrer em meus braços,
Mas desvia o olhar do meu rosto
E se afasta de mim pouco a pouco.
Dá-se a me entreter com suas manhas.
Faz-me mosca em teia de aranha
E me arranha o peito e o juízo,
Mesmo a alma se achar preciso.
Faz de mim um brinquedo em seu jogo
E me deixa posando de bobo.
Mas se lhe dou afeto, se afasta,
Me abandona qual roupa já gasta.
Dispensado do seu figurino,
Sinto ser nada mais que um menino.
Quando ela voltar a ter fome,
O menino será o seu homem.
Perdido por
Isaac Marinho
às
00:15
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sexta-feira, 29 de março de 2013
Incendiário
Olhos de fogo
Fitam a fonte
Do amor que arde,
Do ardor que invade
E incendeia
E incinera
O peito,
A vida
E tudo mais.
Perdido por
Isaac Marinho
às
14:03
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