Os loucos só sonham com a vida normal
Com o mundo real, tudo normalizado
Sonham homens, mulheres da vida real
Sonhos todos reais, tudo realizado
Sonham casas, famílias e empregos normais
Sonham o ideal, tudo idealizado
Sonham tudo o que existe de bem e de mal
Sonham com todo caos desse mundo ordenado
Sonham tanto que acordam sem ar e sem paz
Sonham serem normais e acordam surtados.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Psicose
terça-feira, 18 de maio de 2010
Camisa de força
Não sei onde deixei a camisa,
Mas não sinto um pingo de frio.
Na verdade eu sinto mais brio,
Posso até me banhar em um rio
Ou morrer de abraçar uma brisa.
Não sei onde deixei a camisa,
Mas não estou tão desprotegido.
Eu me sinto mais forte, mais vivo.
Se é assim, da camisa me privo,
Quero mais é viver minha vida.
Não sei onde deixei a camisa
E nem quero saber dela agora.
Se alguém a trouxer, jogo fora.
Quem daquela camisa precisa?
Não sei onde deixei a camisa
E não faço questão de saber,
Pois sem ela consigo viver;
Nunca mais usarei tal camisa.
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Isaac Marinho
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Pensandecido
Pelas frestas da janela vejo a rua,
Observo a velha praça, seminua,
Que se cobre apenas de alguns mendigos;
Nem parece a mesma praça dos domingos.
A cidade está dormindo, ao que parece,
E o vento passa uivando uma prece.
Talvez peça pela gente que se deita
Nesses bancos — nessas “camas” tão estreitas —
Que usa folhas de jornal qual cobertor,
Como o pobre que um garoto incendiou.
Não sei como pode se viver assim...
Tenho um quarto acolchoado só pra mim;
E por que eles precisam não ter teto?
Por que dormem nesses bancos de concreto?
Mesmo um homem como eu, lélé da cuca,
Sabe que eles não merecem essas ruas;
E as crianças, que hoje brincam de usar droga,
Deveriam estar todas na escola.
Mas essas ideias são de um maluco,
Coisas que eu vejo, ouço e enculco.
Talvez nem mereçam sua atenção;
Importante é uma tal de “eleição”.
Sua vida não tem nada a ver com isso,
Mas e se você acordasse mendigo?
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Isaac Marinho
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sábado, 11 de abril de 2009
À beira da loucura
Hoje estou à beira da loucura;
Deixo os pés sentirem a correnteza,
E há de se notar que na leveza
Passo a ignorar a vida dura:
O amargor se torna em doçura
E no terror lampeja uma beleza.
Mas se restar em mim qualquer tristeza,
Mergulharei de vez nessa loucura.
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Isaac Marinho
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Paciente Terminal
Desisti de me curar dessa doença
De querer bem demais.
Talvez pra ela nem exista cura;
E ainda que pareça ser loucura,
Um certo bem estar ela me traz.
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Isaac Marinho
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Poesia Doidivanas
As letras trocadas
De uma carta louca
Me dizem tresloucadas
Pra eu calar a boca
E soltar o verbo
Em escrita viva
Sem deixar que a rima
Seja voz furtiva.
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Isaac Marinho
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O outro eu
Você conhece o meu sorriso de constrangimento e o meu olhar de curiosidade. Você nunca deixa passar despercebido o meu gesto de dúvida ou o meu ar de certeza; você me conhece. Mas precisa saber que eu sou mais que isto; há mais de mim por conhecer do que você possa imaginar.
Nem eu mesmo tenho noção do que há oculto nas entranhas do meu "eu". Já me surpreendi várias vezes, fiz coisas que não esperava fazer e deixei de fazer outras que havia programado; é como se um raio me acertasse e... ZAP! ... muda o rumo, mudam os ares, muda a visão, mudam as atitudes, muda o ânimo. Tenho este lado imprevisível, você não tem culpa de não conhecê-lo; eu mesmo desconheço.
A surpresa mais recente: olhei uma foto sua e notei um "brilho nos meus olhos" (às vezes vejo projeções de mim mesmo), percebi que respirei diferente (quase suspirando) e fiquei todo risonho... será que esse meu outro eu se apaixonou por você? Não que isto seja ruim, mas pode ser complicado. Não, não estou te "cantando", só acho estranho o que tem acontecido. Se fosse pra dizer que estou a fim de você, eu diria com todas as letras, caracteres especiais e etc.
Já pensei em me afastar de você, para não complicar a nossa vida. Mas eu gosto tanto de você que não suportaria ficar longe; só que, diferente do "outro eu", me contento com a distância (máxima e mínima) de "um palmo de amizade". O outro eu é mais pretencioso; quer ficar, no máximo, a uma "polegada de distância entre ficantes" ou a um "cabelim de sapo de espaço" livre entre namorados, cada vez mais perto. Já estou começando a sentir ciúmes; não eu, mas o outro eu.
O "eu estranho" me disse que eu deveria concordar com ele e, como eu e você somos próximos, que eu deveria dar uma ajudinha... sei não... vou deixar dessa loucura e procurar ajuda!
(o outro eu entrou na "linha")
Eu te disse um monte de besteiras, mas tudo o que queria é que você soubesse que te amo. Sou "louco" por você!
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Isaac Marinho
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21:16
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terça-feira, 3 de junho de 2008
Epístola aos loucos
Dos sete sábios chineses, o oitavo era um louco tibetano. Esse oitavo concluiu que a terra era redonda e achatada nas "quinas" e que a matéria era formada de partículas "indivisíveis" formadas por outras partículas menores que por sua vez eram formadas por outras ainda menores, todas invisíveis. Mas é certo que existem.
Um dia esse oitavo sábio chinês, que era um louco tibetano, chegou a entender que todas as formas de vida evoluíram a partir de uma sopa de letrinhas, da qual alguém comeu várias letras restando apenas três: D, N e A. Ainda chegou a declarar que tanto os homens quanto os símios tiveram um antepassado comum, além da ameba primeva da qual surgiram todas as formas de vida, um primata primevo: um cara baixinho e peludo com cara de macaco, mas que era gente boa e nunca fez mal a ninguém. Diz-se que parecia com os atuais muriquis.
O mesmo sábio profetizou que o Brasil seria descoberto por chineses, esquimós, vikings, fenícios e espanhóis. Estes últimos cobririam o Brasil novamente para que os portugueses pudessem redescobri-lo.
A sua maior descoberta, que revoltou os outros sete, foi o ateísmo: Ele declarou que toda divindade é invenção humana e não se deve dar crédito a nenhuma delas. Mas como ele também era humano, concluiu que o seu ateísmo era uma invenção humana e não se devia aceitá-lo como verdade. Depois ele inventou o "Relativismo Absoluto" e mandou toda certeza às favas, amenizando as dúvidas. Tudo agora é relativo, menos o relativismo, visto que é tido como absoluto.
Por fim ele se suicidou, casou-se com uma das sete virgens do paraíso que eram reservadas ao seu primo terrorista, voltou a morar em Campina Grande e psicografou o texto que você acabou de ler.
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Isaac Marinho
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