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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Caindo no esquecimento



Hoje cheguei do trabalho muito estressado. Quase sempre chego assim, mas não é todo dia que se leva uma advertência; eu não devia ter acordado hoje ou, pelo menos, não devia ter ido trabalhar.

Assim que cheguei em casa, o vizinho me disse que cortaram minha luz, chegar a noite em casa e ficar no escuro ou à luz de velas ou de um candeeiro, sem televisão, sem computador e sem poder abrir a geladeira muitas vezes (embora nem sempre encontre o que comer ou beber dentro dela, exceto água) é algo insuportável, mas vou ter que superar isso também.

Chequei a caixa de correspondências e vi que o carteiro "trabalhou pra mim" hoje. Muitas cartas: cartas de bancos, das operadoras dos cartões de crédito, do candidato do partido tal, e uma carta de uma Maria que eu não conheço; não sei pra quem ela queria mandar essas cartas (todas vêm endereçadas ao "Papai"), mas chegam no meu endereço. Já joguei muitas fora, mas vou abrir esta. Vejamos o que diz:

"Querido papai, hoje estou completando treze anos. A mamãe pediu pra eu desistir de escrever pra você, mas eu não canso de escrever ou de esperar uma carta sua. Faz dez anos que o senhor foi embora; eu nem lembro da sua voz, mas eu gostaria de ouví-la cantando 'Parabéns' pra mim. Espero que um dia isso aconteça, também espero que o senhor esteja bem; esteja onde estiver.
A mamãe está em outro trabalho, e agora ela tem mais tempo pra mim. Se puder, venha nos visitar algum dia.
Beijos, da sua Maria."

Se eu fosse esse cara, voltaria pra família agora mesmo. A filhinha vai fazer treze anos, e ele nem mora aqui pra ler a carta. Se eu parecesse com ele, eu passaria alguns dias por lá; lá deve ter televisão, computador, geladeira e comida, e talvez tenham alguma bebida decente também. Mas não posso me passar por pai dessa menina.

Vejamos esta outra carta. O remetente tem o mesmo sobrenome que eu; será que é algum parente distante? Pode ser um golpista; mas se for, eu não tenho nem onde cair morto mesmo. A carta diz:

"Querido mano. Desculpe-me por não ter lembrado de enviar seus remédios para memória. Espero que não tenha esquecido de muita coisa, afinal, você deve estar sem tomá-los há uns 3 meses. Eles devem chegar três dias depois da carta. Minhas sinceras desculpas..."

Se eu não fosse macaco velho, eu cairia em uma dessas.

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