Na solidão do meu quarto
No parto de ideias tristes
Lamento meu despreparo
Face a tudo que existe
E perco o precioso tempo
Envolto em mil suicídios
E acordo do pesadelo
Com corda, cacos de vidro
E viro pro outro lado
Secando o suor de sangue
E durmo mal embalado
Afogado em meio ao mangue.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Afundando
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Isaac Marinho
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sábado, 27 de setembro de 2014
Me aguente
Copiar o amor dos poemas dos outros;
Seria tão pouco, pra não dizer nada.
Imitar cada gesto duma cena de amor;
Eu não sou bom ator, imagine a piada.
Me fazer Pierrot, de você, Colombina;
Carnaval não me anima, você deve saber.
Nem em cavalo branco chegarei montado;
Mas não chego atrasado, você sabe o porquê.
Tenho minhas manias e tiques e taques;
Talvez eu tenha TOC, mas que mal isso tem.
Se amar é o que vale, isso pode ser feito;
Só que tenho meu jeito, não imito ninguém.
Sei que estou te amando, é verdade, não minto;
Eu sei bem o que sinto, mas te custa entender
Que com tudo o que tenho em meu juízo pouco,
Meu amor é tão louco quanto eu posso ser.
Acredite ou não, esse amor é sincero;
Nada em troca eu espero, tudo bem se der ruim.
Mas se todo esse amor não é suficiente,
Meu amor, me aguente, não desista de mim.
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Isaac Marinho
às
13:20
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sábado, 16 de agosto de 2014
Branco
Suzana tinha um cavalo amarelo. Seu nome era Branco.
Não era um animal de passeio nem de exibição. Era um animal trabalhador. Motor e ferramenta. Transporte de carga e de gente.
Anos passados de uma vida sofrida, Branco faleceu. Fizeram-lhe todas as homenagens possíveis. Trataram de encomendar uma estátua para ser posta na praça da cidade. Deram-lhe todas as honras, apreço e carinho (simbólico, é claro) que lhe negaram durante toda a vida.
Assim todos ficaram satisfeitos, de consciência leve, livres da culpa e cheios de medalhas de caridade no peito. E o cavalo, morto.
Suzana suicidou-se.
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Isaac Marinho
às
14:56
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